segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Agricultores se solidarizam à ocupação

Nesses 18 dias de ocupação, vários movimentos sociais vieram prestar solidariedade aos ocupantes pela luta contra o Reuni e a forma como vem sendo imposto este programa na UFPE. Além do envio de moções de apoio e solidariedade, sindicatos, representantes de entidades estudantis, como DCE, DA, além de trabalhadores do campo e da cidade em geral, estiveram presentes na reitoria, o que demonstra a força do movimento, uma vez que vem ultrapassando os muros da Universidade. A exemplo disto, neste sábado, os ocupantes receberam a visita de agricultores assentados de Chico Mendes II, localizado em Tracunhaém, Zona da Mata Norte de Pernambuco.

Na visita, os trabalhadores prestaram solidariedade aos ocupantes, relembraram suas lutas cotidianas, fizeram falas e doaram alimentos produzidos no campo.
A unidade entre campo e cidade foi rememorada como imprescindível na luta contra os ataques impostos à sociedade. Um dos trabalhadores em sua fala: “O campo e a cidade precisam estar unidos, e, aqui, mostram mais uma vez sua força”.

Ainda, os agricultores lembraram o papel social que deveria cumprir a universidade, estando a serviço da população. Colocaram a necessidade da democratização do acesso, de ampliação de vagas, mas, reprovaram o Reuni como uma alternativa, frisando seu caráter extremamente prejudicial à educação pública. Questionaram também, a truculência do Reitor. “A sociedade está acompanhando, estão vendo a forma autoritária em como a Reitoria está tratando o assunto, sem querer discutir e ouvir os estudantes. O rumo da Universidade deve ser discutido e decidido amplamente”, comentou um agricultor.

Por último, doaram macaxeiras, alimentos produzidos no campo, por eles, e saudaram os manifestantes. Além disso, se dispuseram a estar presentes, junto com outros movimentos sociais, em um ato que se realizará na terça-feira (concentração na reitoria às 13h), em solidariedade á ocupação e em favor de um Plebiscito sobre o Reuni na UFPE.

domingo, 11 de novembro de 2007

AgendaOKupa

Segunda 12 de novembro

Manhã 10h

OkupaCentro - CCB
*Atividade simbólica nos centros da universidade*

Cineresistência - vídeos e animações sobre temáticas variadas

Oficina de cartaz

Assembléia dos estudantes

Feijoada-Por R.U a preço popular Reitoria ocupada 12h

Tarde 14h

OkupaCentro - CFCH e CE
*Panfletagem, atividades culturais*

Noite

Cineocupa 19h
*Viver a vida - Jean Luc Godard (1962)*

Visita da ocupação nas casas de estudante masculina e feminina

Terça-feira 13 de novembro

Manhã

09h Mobilizaçao CFCH

Tarde

12h Feijoada "Ninguém engole esse REUNI"

13h Concentracão para o ato público a favor da ocupação contra as medidas autoritárias do reitor Amaro Lins

Noite

20h Festa Ocupação

Medidas legais

Olá. Nós ocupantes da reitoria gostariamos de esclarecer o real motivo de nossa luta.
Temos uma pauta política e sabemos o quão complidado é o entendimento acerca da necessidade de fazer com que ela ocorra, a dureza de extrapolar o senso comum para comunicar claramente interesses políticos e públicos, principalmente quando este é atravessado por questões tão delicadas como as necesssidade mínimas das pessoas (bolsas, salários). Estamos muitíssimo preocupados com isso, trata-se de vidas, as vezes do único modo de garanti-la. O movimento está aí para isso, para a vida pela melhora de suas condições, contra a sua banalização. A decisão quanto aos rumos da universidade deve ser sim amplamente discutida. O futuro a nós pertence e caso não arranquemos alegria à ele não mais veremos surgir em nosso horizonte qualquer rastro de esperança. Nossos motivos são justos, sérios e honestos. Por assim ser, o movimento decidiu recorrer também a instância legal (Ministério Público) para que através dele o Conselho Universitário realizado no dia 26 de outubro seja inviabilizado legalmente. Esperamos que assim como aconteceu em outros estados do país, onde a decisão de aderir ao REUNI também foi tomada da mesma forma autoritária e anti-democrática, os orgãos competentes compreendam o teor do evento e tomem a decisão favoravél ao nosso movimento.

Carta do Sintufepe ao Reitor

Recife, 31 de outubro de 2007.


Magnífico Reitor,
Prof. Amaro Lins

O decreto do Reuni comprovou que a ofensiva da precarização na universidade pública é grande. Essa nova face da Reforma Universitária, o REUNI, deve ser entendida como uma grande ameaça ao papel da universidade pública que queremos ver consolidada neste país, que mesmo hoje, passando pelos problemas que tem passado, têm sido a principal responsável pela pesquisa científica nacional. Entendemos que o REUNI é extremamente danoso à qualidade do ensino, atrelando o recebimento de verbas à produtividade no mercado, sem uma discussão da manutenção da qualidade de ensino e deixando de lado a formação crítica dos estudantes. Além disto, o aumento de verba previsto não condiz com a expansão do número de vagas propostas sem uma estruturação adequada dos espaços físicos, assistência estudantil e a proporcional contratação de técnicos-administrativos e professores, o que por si só, gera a precarização do trabalho na universidade.
Ademais, tal decreto prevê a exigência de metas inatingíveis, tais como a taxa de conclusão média de 90%, o que nos faz lembrar o fracasso da política de progressão continuada instituída no ensino fundamental da rede pública, onde não há reprovação, mesmo quando o conhecimento não é assimilado pelo aluno. Em não havendo o cumprimento das metas pré-estabelecidas, os propalados “recursos financeiros” não seriam disponibilizados.
Some-se a tudo isto, o fato de que a Administração Central da UFPE, não promoveu o necessário debate com a Comunidade Universitária, culminando na adesão ao citado projeto de forma açodada, na seção do Conselho Universitário, realizado na tumultuada manhã da sexta-feira, 26 de outubro de 2007. Vale ressaltar que os CONSELHEIROS do Sintufepe, Cleiton José Cavalcanti e André Luiz, Coordenadores Gerais de nosso sindicato, não foram convocados para referida seção, o que, a nosso ver, tornam ilegítimas suas decisões.
Isto posto, propomos ao Magnífico Reitor e ao Conselho Universitário que inicie um amplo debate com a Comunidade Universitária da UFPE que pode culminar com uma consulta democrática plebiscitária, e uma posterior convocação do Conselho Universitário para um posicionamento à luz do plebiscito.
Esperando ser atendidos prontamente ao nosso pleito, ficamos no aguardo de resposta de Vossa Magnificência.



Diretoria Colegiada do Sintufepe/Seção UFPE

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Nota de Esclarecimento aos Estudantes Bolsistas da UFPE

Nós, estudantes responsáveis pela ocupação da Reitoria da UFPE, declaramos que estamos todos preocupados com o pagamento das bolsas dos estudantes, com o pagamento dos funcionários terceirizados, assim como com o 13º dos funcionários da UFPE, principalmente após termos conhecimento de que alguns funcionários levaram os trabalhos para casa, o que possibilitou o pagamento apenas dos servidores públicos da UFPE, excluindo assim, o pagamento das bolsas estudantis.
Tentando resolver este problema, que avaliamos ter sido causado de forma proposital, possibiltamos, desde o dia 05 de novembro, a entrada dos funcionários responsáveis pela contabilidade e pelo pagamento das bolsas estudantis, e dos demais salários com o intuito de não prejudicar os estudantes bolsistas e demais trabalhadores da UFPE. No entanto, o Magnífico Reitor não concordou com esta abertura parcial de Reitoria, fazendo com que os funcionários se recusassem a trabalhar nessas condições.
Informamos ainda, que a integridade física e moral dessas pessoas estão garantidas, uma vez que nossa luta não é contra os funcionários nem tampouco contra os demais estudantes, mas contra a aprovação antidemocrática do REUNI.

Artigo sobre REUNI

Aonde nos leva o REUNI?

“Se educação é direito, é preciso tomá-la no sentido profundo da sua origem (...) como o direito de todos de terem não só acesso ao conhecimento mas também à criação do conhecimento. Isso é decisivo para que outros direitos sejam criados e para que a sociedade se torne democrática. A educação formadora se realiza como trabalho do pensamento, para pensar e dizer o que ainda não foi pensado nem dito. Essa formação é civilizatória contra a violência social, econômica, política e cultural, porque age como criadora de novos direitos quando compreende que o pensamento é um trabalho e que o trabalho é a negação da realidade dada”. Marilena Chauí

A universidade pública brasileira, quase sempre lembrada em tempos de vestibulares como sinônimo de escola para as elites, vem percorrendo os veículos da grande imprensa, sobretudo a partir do decreto presidencial nº 6.096/07 de abril de 2007, o qual institui o REUNI. Os artigos jornalísticos referem-se, efusivamente, às melhorias que tal decreto propiciará à educação superior, sobretudo aos segmentos mais pauperizados da população. Mas, o que vem a ser o REUNI?
1) Tal decreto assenta-se em dois pilares básicos: a exigência de 90% de aprovação e o aumento do número de alunos por professor da ordem de 1 para 18. Estas metas deveriam não apenas orientar um conjunto de adaptações que cada unidade de ensino passaria a implementar, como também constituem parâmetros efetivos para a liberação de recursos. O argumento utilizado pelo MEC e, insistentemente repetido pelos gestores locais, refere-se à justa e necessária expansão do número de vagas nas universidades públicas, possibilitando o acesso de segmentos mais amplos da sociedade à educação superior gratuita. Aliás, esta tem sido uma bandeira histórica do movimento docente, cuja trajetória tem sido marcada por uma luta intermitente (da qual muitos já se cansaram) contra a privatização do ensino – expressa em nosso cotidiano em crescentes níveis de precarização das condições e das relações de trabalho – e por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.
No entanto, a despeito da justeza do argumento, o que se propõe, de fato, é um “inchaço” das universidades e sua conversão em grandes “escolões”, bem ao estilo da maioria das unidades de ensino privadas, cuja ênfase encontra-se nas atividades de transmissão de conhecimentos, o chamado “aulismo”, com repercussões significativas, sobretudo para os cursos que dependem principalmente de professor, quadro e pincel para funcionarem, bem ao sabor das sucessivas políticas de contenção de gastos de que vimos sendo testemunhas ao longo de sucessivos anos. Resta esclarecer que a razão de 1 professor para treze alunos (média nacional atual) não significa ser este o número de alunos em sala de aula (visto que cada aluno tem várias disciplinas simultaneamente), além do que não estão contabilizadas as atividades de pesquisa, orientação e participação em bancas, atividades administrativas, supervisão das atividades de extensão, dentre outras. Neste sentido, quanto maior a proporção de alunos por professor, maior será a precariedade do ensino e a conseqüente redução da qualidade do mesmo.
A exigência de 90% de aprovação, considerada até mesmo por porta-vozes da reitoria da UFPE como uma meta “inatingível”, torna-se mais contraditória à medida que aumenta a proporção entre professores e alunos, posto que torna cada vez mais escassas as possibilidades de um atendimento mais individualizado e qualificado por parte do professor. O ANDES estima que a ampliação do ingresso, aliada ao aumento da taxa média de conclusão dos cursos de graduação poderá acarretar um aumento de 200% no número de matrículas – sem o correspondente aumento dos recursos – instituindo a aprovação automática nas universidades federais, cujo objetivo último é a melhoria dos índices a serem fornecidos às agências internacionais, a exemplo do que vem ocorrendo com o ensino fundamental e básico, de conseqüências largamente discutida pelos especialistas em educação no Brasil.
2) Como forma de atenuar possíveis tensões resultantes da “expansão” das universidades federais o MEC institui um banco de “professor-equivalente”, o qual possibilitará a substituição gradativa dos professores em regime de dedicação exclusiva por outros em regime de 20 horas ou 40 horas ou mesmo substitutos com 20 horas. Aqui encontra-se um verdadeiro atentado ao princípio da indissolubilidade entre ensino, pesquisa e extensão e o governo mostra suas reais intenções, visto que se tornaria cada vez menor o número de professores dedicados à pesquisa e à extensão: ganhando cerca de um terço do salário de um professor com dedicação exclusiva, ao professor equivalente com 20 horas caberia “tão somente” as atividades relacionadas ao ensino, reforçando a prática do “aulismo”, à qual já havíamos nos reportado, anteriormente. Se considerarmos que, atualmente, cerca de 30% dos cargos docentes nas universidades federais são ocupados por professores substitutos – o que já revela um acentuadíssimo grau de precariedade – aonde nos levará a implantação do banco de equivalentes?

3) Um dos argumentos mais tentadores, utilizados pelo governo para convencer à comunidade acadêmica e à sociedade, refere-se ao aumento de verbas para as universidades que aderirem ao REUNI. De fato, o governo promete um aumento de 20% nos seus orçamentos. No entanto, no mesmo decreto fica, então explicíto que a liberação dos recursos estará condicionada ao cumprimento das metas por um lado, e, por outro, à dotação orçamentária do Ministério, ou seja, para nada estão garantidos os recursos, ainda que as tais metas sejam cumpridas. Em tempos de sucessivos contingenciamentos, não é difícil supor o desfecho desta questão.
Sem dúvida, o REUNI aprofunda, dramaticamente, e consolida o fosso já existente entre as universidades “de ponta”, consolidadas, com cursos de pós-graduação bem conceituados (a maioria situadas no sul e sudeste) e as demais (cerca de 80%) que se converterão em grandes escolões, posto que o aumento do número de estudantes exigido só poderá ser alcançado, prescindindo-se da pesquisa. O tripé ensino/pesquisa e extensão, ainda que hoje se mantenha sob bases frágeis, constitui um fator decisivo para as avaliações das unidades de ensino superior no Brasil e representa um referencial importante para aqueles que lutam por uma universidade pública, gratuita, laica e de qualidade. O REUNI dá um passo decisivo para o desmantelamento do sistema e para as investidas do capital internacional que tem sinalizado, inclusive através da imprensa, a sua intenção em “contribuir” com o aprimoramento das universidades públicas brasileiras. Este caminho já é de todos nós conhecido. A Ditadura militar seguiu essa mesma trilha, ao sucatear o ensino fundamental e o médio, abrindo larga avenida para o ingresso do ensino privado, tido como sinônimo de qualidade e excelência, enquanto à grande maioria da população foram destinadas as escolas públicas, deficientes e incapazes de cumprir a sua função social: preparar sujeitos críticos, aptos a recriarem permanentemente a vida em sociedade e a contribuírem para o aprimoramento do gênero humano. O governo Lula, culpabiliza a universidade pública pelas crônicas deficiências do ensino público fundamental e médio, acusando-a de elitista. Para sanar as distorções com as quais o ensino universitário se depara, o caminho escolhido foi a cisão do ensino superior público, aprofundando o fosso entre o lugar dos ricos, os centros de excelência e o dos pobres: os grandes centros de formação aligeirada.
A lógica neoliberal no trato com os investimentos sociais não deixa dúvidas.Em tempos de contra-reforma do Estado e de privatização dos serviços sociais, o gasto por estudante na educação superior encolheu entre 1995 e 2002 para 88% do
valor anterior, em contraste marcante com outros países. Estes dados desmentem frontalmente as campanhas que têm afirmado que o Brasil
investe muito na sua educação superior. Ao contrário, no Brasil, o investimento em educação apenas 4% do PIB, sendo, aproximadamente 20%
destinados à educação superior. Na verdade, o país investe muito
pouco em educação, e em particular na educação superior.
Os veículos de comunicação, inclusive os da própria UFPE, têm feito questão de ressaltar o caráter progressista e democrático do REUNI. Cá me pergunto: como falar de democracia quando o governo federal institui uma reforma universitária com conseqüências de peso para o ensino superior no Brasil nas próximas décadas através de decreto? Onde está a democracia quando as discussões sobre o decreto no âmbito da estrutura universitária (Centros e Departamentos) tiveram o caráter de aprovação de projetos locais a serem implementados com recursos do REUNI, sem que se considerasse a natureza e o significado deste decreto para a Universidade? ´Por que a pressa em aprovar em primeira chamada a adesão da UFPE, a despeito do indiscutível desconhecimento, por parte da comunidade universitária, sobre o REUNI e seus desdobramentos para a universidade pública? Penso que se faz urgente uma agenda de discussões e a exigência de posicionamento do conjunto da comunidade acadêmica, através de uma ampla consulta que oriente as decisões sobre os nossos rumos futuros.
Por fim, os jargões de “truculência”, “intransigência”, “corporativismos” que tão fartamente têm sido atribuídos àqueles que se opõem ao REUNI portam o odor execrável dos tempos da ditadura e a profunda dificuldade das classes dominantes brasileiras e de seus intelectuais de conviverem com a diversidade de pensamento, com o confronto político, reafirmando, assim, a tradição positivista na formação brasileira, a qual confere à nossa intelectualidade um traço da efemeridade e de impaciência no trato com as questões teórica e políticas. Como bem nos lembra Leandro Konder, é consolidação de um Estado coercitivo, refratário às divergências, que acabou por sedimentar uma cultura de intolerância e de restrição ao exercício intelectual, fazendo predominar o pragmatismo e a “lógica da destrutividade da polêmica”, contaminando, inclusive a própria esquerda.


Maria das Graças e Silva
Assistente Social e Professora da UFPE

Programação da Ocupação

Quinta 08/11

8:00- Mobilização e panfletagem nos Centros da Universidade.

14:00- Ato no pátio da reitoria contra o autoritarismo da implementação do REUNI e em favor da ocupação da UFPE entidades que participarão:

(Adufepe,Conlutas,Sintect,Simpere,Sindufepe,MTL,DCE-Rural)

19:00 Apresentações de bandas

20:00 CinEOkUPA (auditorio da reitoria)
Desafio dir. Paulo Cesar Saranceni




Sexta 09/11

8:00- Mobilização e panfletagem nos Centros da Universidade.


13:00- Aulão sobre o plano de desenvolvimento da educação e o REUNI.

16:00- Exibição dos curtas feitos nas ocupações do Brasil

CineOkupa (auditorio da reitoria)
A Revolução não será televisionada dir Kim Bartley e Donnacha O’Briain

comissão de comunicação da reitoria ocupada