quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Reitoria quebra acordo e tenta desqualificar luta contra o Reuni

A opção dos estudantes que ocupam a reitoria da UFPE por fechar o acesso ao prédio, ao contrário do que vem sendo divulgado pela assessoria de comunicação da instituição, não constitui a quebra do acordo firmado com o reitor Amaro Lins. Ao não cumprir seu compromisso de entregar, na segunda (29), documentos referentes ao Conselho Universitário ocorrido na última sexta (26), o reitor já havia desrespeitado o que havia acordado com os manifestantes. Tendo em vista que não existe manutenção de acordo apenas por um lado, a atitude dos estudantes é uma demonstração de que tentativas por parte da administração de neutralizar o movimento, estabelecendo um falso diálogo, não serão aceitas pelos ocupantes.

A decisão dos estudantes fez com que a reitoria recuasse duas vezes até o momento, suspendendo as atividades no prédio e desmarcando a solenidade de recondução do reitor Amaro Lins ao seu cargo. A administração da reitoria da UFPE vem tentando desqualificar a ocupação pacífica dos estudantes chamando-os de invasores e afirmando que os manifestantes ameaçam a “integridade” dos convidados da solenidade de posse.

Os estudantes que agora ocupam a reitoria da UFPE esperam que a sociedade compreenda a tentativa do reitor Amaro Lins de desqualificar o movimento para, assim, poder utilizar o aparelho repressivo contra os estudantes. A afirmação por parte da reitoria de que houve quebra de acordo é uma forma da administração tentar se livrar do outro compromisso firmado com os ocupantes de que não utilizaria da violência para dar fim ao impasse.

Comunicado à comunidade acadêmica da UFPE

Comunicado acadêmica da UFPE,

Tendo em vista a impossibilidade de um diálogo construtivo com o magnífico Reitor Amaro Lins, em assembléia geral, os estudantes do movimento de ocupação da reitoria optaram por fechar o acesso à Reitoria a fim de forçar uma negociação com as estâncias máximas de representação da Universidade. Insistimos que o Reuni deve ser discutido com todos da UFPE - estudantes, professores e servidores - e a organização de um plebiscito é a forma mais democrática de se realizar tal processo. Não vamos permitir que um Conselho Universitário, organizado em condições que fogem as regras tratadas em estatuto, delibere autoritariamente sem nem mesmo informar adequadamente a comunidade acadêmica.
O Movimento de ocupação da reitoria é um movimento pacífico, na sua maioria formado por estudantes e com apoio de várias instituições, professores e servidores. É pacificamente que estamos reivindicando os nossos direitos estabelecidos pelo estatuto da Universidade. É grande o nosso temor que mais uma vez medidas violentas e drásticas sejam tomadas contra o nosso movimento, por isso pedimos atenção a todas as instâncias representativas entre elas os meios de comunicação para dizer que estaremos abertos ao diálogo
Até a revogação do Conselho Universitário realizado de forma escusa no dia 26 de outubro e implementação de um plebiscito que contemple toda a comunidade acadêmica sobre a aceitação ou não aceitação do REUNI, o prédio da Reitoria da Universidade Federal de Pernambuco permanecerá trancado.

Comissão de comunicação da reitoria ocupada da UFPE.


Ocupar, Resistir, Transmitir - Rádio Livre OCUPA UFPE FM 88,1 MHz

Quinto Dia de ocupação

Terça-feira, 30 de outubro. Reitoria da UFPE. 5º dia de ocupação. Colchões, cabanas e varais. As decisões apontam a ampliação ainda maior dos horizontes.

O dia amanheceu com as manchetes dos principais jornais locais colocando o REUNI de maneira parcial e superficial, mostrando apenas um lado do projeto a ser enviado pelo reitor ao MEC – o que promete maravilhas para a Universidade – ignorando, dessa forma, todos os riscos e impossibilidades envolvidas, as quais criticamos. Em contrapartida, os esforços por uma mídia independente continuaram, e a Rádio Ocupa UFPE, FM 88.1 esteve em funcionamento.

Na reitoria, o dia foi de Cultura e de Fortalecimento do Grupo, e do pensar enquanto grupo. Pela manhã, houve a assembléia que traçou um cronograma de atividades e o esboço da estratégia que será seguida nos próximos dias, estratégia essa concluída agora à noite.

A tarde foi marcada por mobilizações em algumas salas de aula em diversos centros e por Oficinas de Arte para a ocupação – que foram desde cartazes até “caracterização de estátuas”. A noite contou com o clima de malabaristas e músicos da própria ocupação, que antecederam a última assembléia.

Cada vez mais, apesar de antigas divergências entre diversos grupos – e apesar do acontecido hoje, tratado no post anterior – a ocupação se fortalece e fortalece sua unidade, iniciando a quarta-feira chamando mais estudantes para unirem-se, num dos dias mais corridos da ocupação.

Nota de Repúdio ao ato do Movimento Correnteza


Em assembléia geral realizada no dia 31 de outubro, os estudantes do movimento Ocupa UFPE lançaram uma moção de repúdio contra atos do Movimento Correnteza: integrantes do referido coletivo tentaram não só em jornais de própria autoria, mas também em jornais da grande mídia, se portar como líderes dos protestos que resultaram na tomada do prédio da reitoria.

No Jornal da CORRENTEZA, edição de outubro de 2007, o coletivo publicou: “Thiago Santos, estudante de Ciências Sociais, militante da União da Juventude Rebelião e candidato ao DCE pela chapa CORRENTEZA, foi preso, espancado e levado para Delegacia da Polícia Federal, onde ficou o dia inteiro sem comer e depois foi processado na Justiça Federal por desacato a autoridade. Em reposta, estudantes ocuparam a Reitoria de onde manifestaram a solidariedade ao colega injustiçado e a ocupação permanece até que o REUNI seja revogado”. A interpretação da assembléia foi a de que tal publicação é mentirosa: a ocupação da Reitoria da UFPE deu-se pela tentativa do Reitor Amaro Lins em aprovar o REUNI sem consultar a comunidade acadêmica, e não pela prisão do citado estudante. Na matéria, ainda é estampada uma foto em que integrantes da Correnteza exibem uma faixa dando apoio ao líder de seu coletivo. A faixa é exibida em meio a estudantes que na verdade comemoravam a vitória de fazer com que o Reitor viesse À ocupação e participar de uma assembléia; texto e imagem formam uma tentativa clara de manipular os leitores com inverdades.

Outro ato repudiado por estudantes do Ocupa UFPE diz respeito a uma matéria publicada no Jornal do Comércio em 27 de outubro de 2007. O mesmo Thiago Santos se apresenta em entrevista como líder do movimento de ocupação da UFPE: “... De acordo com Thiago de Oliveira Santos, 22, que lidera o protesto... O protesto do movimento Correnteza, como são denominados, é contra os aumentos do número de vagas e da taxa de aprovação previstos pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o Reuni.”.

Mais uma vez, os estudantes do Ocupa UFPE vem esclarecer que a ocupação da reitoria não tem um líder instituído, muito menos coletivo que tome a frente das decisões. As deliberações que dizem respeito ao conjunto de estudantes que ocupam o prédio da reitoria são tiradas em assembléia em que todos têm direito de voz e voto.
PELA REVOGAÇÃO DO REUNI. PLEBISCITO JÁ!!!
Comissão de comunicação da UFPE
- Ocupar, Resistir, Transmitir FM 88,1MHz

Algumas notícias clipadas:

Confira aqui algumas coisas que tem sido divulgadas sobre a ocupação na Internet:

26.10.07
Manifestação de estudantes ocupa reitoria da UFPE
JC online — Pernambuco — 26.10.2007 09h44

Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ocupam, na manhã desta sexta-feira (26), a Reitoria da instituição para ato em protesto contra o Plano de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o Reuni. De acordo com a organização, cerca de 200 estudantes se encontram no local, em situação de conflito com a polícia. Um deles, ainda não identificado, foi preso. Protestos semelhantes ocorreram nas universidades federais de do Paraná (UFPR), Rio de Janeiro (UFRJ), Fluminense (UFF), São Paulo (UNIFESP) e Bahia (UFBA). …

Estudantes invadem reitoria da Universidade Federal de Pernambuco
da Agência Folha, em Recife — 26/10/2007 22h22

Cerca de cem estudantes invadiram nesta sexta-feira o prédio da reitoria da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), em Recife, para tentar impedir reunião do Conselho Universitário sobre o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). Houve confronto com seguranças e um aluno foi detido. …

27.10.07
Estudantes continuam acampados na reitoria da UFPE
JC Online — Recife — 27.10.2007 09h52

Já dura mais de 25 horas a ocupação dos estudantes na reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Zona Oeste do Recife. O grupo, formado por cerca de 100 alunos, realiza assembléia desde às 8h deste sábado (27) para discutir a pauta de reivindicação e próximo passo do movimento. De acordo com Thiago de Oliveira Santos, 22, que lidera o protesto e chegou a ser detido nessa sexta por desacato à autoridade, a noite foi tensa já que o grupo teria recebido ameaça de ser expulso do local pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar. …

fonte : http://movebr.wikidot.com/especiais:2007:out:ocupacao:ufpe

Comentários de nossa redação: Thiago de Oliveira Santos não é lider do OCUPA UFPE. O movimento de ocupação do prédio da Reitoria da UFPE busca ao máximo a horizontaliade. Todos os estudantes, que participem ou não do movimento tem direito a voz e voto; todas as propostas são votadas em assembléia, prevalecendo a vontade da maioria.

29/10/2007 08h50 UFPE
Estudantes queixam-se de falta de diálogo no Reuni

Os estudantes universitários continua nesta segunda-feira a ocupação da sede da reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), iniciada na última sexta-feira. O grupo, formado por cerca de 200 pessoas, resolveu aderir aos protestos nacionais contra o Plano de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), do Ministério da Educação (MEC) e montar acampamento no local. Enquanto isso, logo mais às 1h, o reitor da UFPE, professor Amaro Lins, deve anunciar o teor do projeto. Na reitoria, uma aluna, da comissão de comunicação do protesto, e que preferiu não se identificar, queixou-se da falta de diálogo: “Queremos uma conversa sobre a pauta do Reuni. Não houve diálogo entre a reitoria, os professores e estudantes. Queremos explicações e ver implementada alguma reivindicação nossa”, avaliou. Na última sexta-feira, durante a manifestação, o estudante de ciências sociais Tiago Pereira, de 20 anos, foi detido pela Polícia Federal por denúncias de desacato à autoridade e racismo. "Não podemos permitir a aprovação do Reuni sem haver diálogo com os alunos. Sem falar que não há previsão de ampliação no quadro de professores para sustentar a meta de aumentar o número de vagas na UFPE", explicou um dos líderes do movimento, o estudante Rafael Sena, do curso de história. Através de nota oficial, o reitor Amaro Lins informou que o Conselho Universitário já aprovou o projeto da UFPE que será incorporado ao Reuni. Segundo o texto, o Plano vai possibilitar a "melhoria da assistência estudantil com, por exemplo, a elevação do número de bolsas para os alunos carentes e construção de restaurante universitário nos campi do interior". Da Redação do PERNAMBUCO.COM, com informações do Diario de Pernambuco

Fonte: http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20071029085039&assunto=23&onde=1

reuni
PSTU, PSOL e PCR aparelham ocupação e estudantes independentes abandonam reitoria

Como já era esperado, já que nenhuma liderança forte estava na ocupação da reitoria, o PSTU, PSOL e o PCR aparelharam a ocupação da reitoria e muitos estudantes de grupos independentes abandonaram a ocupação.
Isso de certa forma era esperado, já que não existe vácuo de poder. Quando existe alguém toma. Essa conversa de movimento horizontal não existe.
Agora estarão reunidos com o reitor Amaro Lins, e receberão um “até logo” como resposta ao pedido de anulação da aprovação do REUNI na UFPE. Cada um com seu papel.
Já tínhamos alertado aqui sobre o que aconteceria. Depois de ter achincalhado a imprensa no sábado, e de acreditar que só quem dizia a verdade eram eles.
Tinham razão quando reclamaram que as manchetes dos jornais no sábado estavam distorcidas, mas perderam a razão na forma de reclamar.
Um fato interessante, que merece registro e um elogio.
Apesar da péssima comunicação com a imprensa, duas iniciativas interessantes foram adotadas: a criação de um blog, e uma rádio independente para se comunicar.
O único erro é achar que só isso resolve, e que a mídia é toda burguesa. Se quiser ganhar a opinião pública, precisa ampliar, e não restringir.
Autor: Pierre Lucena - 29/10/07 às 10:00

Fonte: http://acertodecontas.blog.br/atualidades/pstu-psol-e-pcr-aparelham-ocupao-e-estudantes-independentes-abandonam-reitoria/

Comentário de nossa Redação: o jorlista realizador desta matéria não está bem informado sobre o movimento. O OCUPA UFPE é também sim integrado as forças citadas acima, mas a grande maioria dos estudantes nem mesmo participam de coletivos com fins de eleições no campo estudantil.

reuni
Diretor do CCSA da UFPE pede a reitor que convoque Conselho para adiar envio de proposta do REUNI

Os estudantes que são contra o REUNI ganharam um aliado de peso para adiarem para o ano que vem a proposta a ser apresentada pelo MEC: o Diretor do CCSA, que foi candidato a reitor nas últimas eleições, e também membro do Conselho Universitário, Sérgio Alves.
Sérgio acaba de me encaminhar uma carta à Comunidade Acadêmica, em que pede ao reitor que evite o atropelo que o processo gerou, pedindo o adiamento, para maiores discussões.
Duvido que Amaro adie, mas de toda forma já passou a impressão de que tudo foi corrido e sem discussão.
Segue a carta aberta à Comunidade.
Carta aberta à comunidade da UFPE
Sérgio Alves, Diretor do CCSA
A UFPE aderiu ao Programa para a reestruturação e expansão das universidades federais (REUNI, Dec.nº.6.096/07), do Ministério da Educação, em conturbada reunião do conselho universitário. Na tumultuada manhã da última sexta-feira quando o colegiado superior da instituição deliberou favoravelmente sobre o projeto da UFPE que será incorporado ao REUNI, ocorreram protestos de estudantes, de técnicos administrativos e de professores.

Leia texto completo

Autor: Pierre Lucena - 29/10/2007 às 22:41

: COmissão de comunicação da reitoria ocupada da UFPE

Ocupar, Resistir, Transmitir FM 88,1MHz
O professor Sérgio Alves, Diretor do CCSA lança seu manifesto contra a aprovação do REUNI. Leia o texto abaixo:

Carta aberta à comunidade da UFPE
Sérgio Alves, Diretor do CCSA

A UFPE aderiu ao Programa para a reestruturação e expansão das universidades federais (REUNI, Dec.nº.6.096/07), do Ministério da Educação, em conturbada reunião do conselho universitário. Na tumultuada manhã da última sexta-feira quando o colegiado superior da instituição deliberou favoravelmente sobre o projeto da UFPE que será incorporado ao REUNI, ocorreram protestos de estudantes, de técnicos administrativos e de professores.

A reitoria foi ocupada por opositores ao REUNI, o que impediu a entrada dos conselheiros no auditório onde regularmente são realizadas as reuniões do conselho. Diante da situação o reitor decidiu, então, transferir a reunião para seu gabinete.
Enquanto os conselheiros deliberavam, um dos líderes do alunado foi detido por seguranças da UFPE e conduzido à polícia federal, sendo liberado algumas horas depois. A verdade é que as partes envolvidas se excederam, com os estudantes alegando truculência dos seguranças e estes alegando desacato à autoridade. De qualquer modo, poucas vezes foram vistas na UFPE tais transtornos, apesar da universidade já estar a bastante tempo vivenciando um tortuoso processo de transição entremeado por momentos de harmonia e dissenso, de desacordos e consensos.
É reconhecido que a universidade é uma instituição singular e de elevada complexidade, não comportando respostas fáceis e imediatas, prontas e acabadas para a sua indispensável reforma com a devida profundidade e abrangência. O anacrônico modelo universitário em vigor está à beira de um colapso. Nesse diagnóstico parece haver quase uma convergência de opiniões.
Contudo, o encaminhamento da reconstrução de uma universidade pública que se fundamente em um projeto de nação, requer grandes desafios a serem vencidos e difíceis obstáculos a serem superados, e que iniciativas segmentadas como o REUNI pouco contribuem para um avanço no debate sobre a universidade pública brasileira.
Vale dizer, espera-se uma maior clareza das principais entidades representativas da comunidade universitária nacional e do Ministério da Educação no sentido de delinear um modelo referencial que propicie a discussão não-fragmentada sobre a universidade que o Brasil requer. Afinal, até uma Constituição, a de 1988, teve o seu arcabouço preliminarmente consensuado para, em torno dele, viabilizar-se uma Carta Magna que conseguiu integrar posições contravenientes próprias da democracia.
O REUNI, que tem a pretensão de reestruturar e expandir as universidades federais foi pouco debatido pela comunidade da UFPE, posto que a sua discussão foi iniciada em setembro para ser votada em outubro, após reuniões dos conselhos departamentais dos centros acadêmicos. Não houve tempo hábil para o REUNI ser criticamente apreciado pelos plenos dos departamentos, pelos estudantes, pelo pessoal técnico-administrativo e pela grande maioria dos professores.
Por sua vez, a portaria interministerial nº22, que permite que a universidade proceda à reposição de vagas de docentes sem o crivo da burocracia brasiliense, representa um avanço, embora tímido, da gestão das instituições federais de ensino superior. Mas, se levado em conta o preconizado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), isso significa que não corresponderá a uma expansão do quadro de pessoal, visto que não estão previstos recursos financeiros adicionais, sequer para reajuste salarial da folha de pagamento dos servidores públicos no prazo de dez anos. Isso tudo é ainda agravado pela carência atual em torno de cinco mil professores, sem contar o pessoal técnico-administrativo.
O fato incontestável é que a universidade está hoje inexoravelmente enveredada em uma trilha cujo ponto de chegada ainda não nos é dado a conhecer. Urge, portanto, identificar-se o melhor caminho a ser por ela percorrido para responder aos legítimos anseios da sociedade brasileira. Atender as necessidades de educação superior do país, entretanto, não deve ser apenas responsabilidade do governo da vez, mas sim do Estado brasileiro orientado por uma política nacional com consistente perspectiva de longo prazo e com o compromisso de assegurar condições razoáveis para garantir o funcionamento eficiente de uma universidade pública com qualidade na pesquisa, no ensino e na extensão.
Oportuno salientar que isso passa por importantes questões relativas à gestão universitária e ainda não satisfatoriamente respondidas: como efetivar uma estrutura organizacional-administrativa e um plano de ação duradouro que favoreça o espírito inovador e que propicie a liberdade criativa indissociáveis da academia, com a existência de adequados mecanismos que avaliem o seu desempenho, em termos de sua contribuição à sociedade? Ou, como conquistar uma efetiva autonomia em que se tenha assegurado o seu caráter meritocrático, suprapartidário, laico e capaz de contribuir para a consolidação em nosso país de um desenvolvimento sustentável e com justiça social?
O REUNI prevê R$2 bilhões para investimento nas universidades federais nos próximos cinco anos. No contexto atual isso é considerável. A liberação desses recursos será feita em parcelas e dependerá do cumprimento dos objetivos estabelecidos no contrato de gestão (termo de compromisso). Mas como o programa limita os recursos à dotação orçamentária do Ministério da Educação – não sendo, por conseguinte, um compromisso de Estado – o que pode implicar em se interromper o financiamento previsto, mesmo que as metas estejam sendo cumpridas. De outra parte, as universidades que aderem ao REUNI receberão 20% (orçamento-base 2006) de incremento nos recursos para custeio. No entanto, para ter acesso a esses montantes, a universidade terá que assegurar a taxa surreal de 90% (o país com maior índice, o Japão, chega a 92%) dos alunos matriculados concluírem o curso, dentro do período de vigência do REUNI. Como atingir essa incrível meta sem a adoção de uma nefasta prática de aprovação automática? O REUNI também propõe um bizarro bacharelado, após três anos de curso, cujo diploma será um “certificado de generalista”.
Finalmente, tendo em vista as condições em que ocorreu a decisão, as suas conseqüências imediatas, o potencial de risco a elas associado, o nível de desinformação ainda existente sobre o assunto, as imperfeições contidas no REUNI e, principalmente, o fato objetivo de que o aprovado refere-se a um pré-projeto, conclamo o reitor e presidente do conselho universitário, Prof. Amaro Lins, para serenamente examinar a possibilidade de convocar o conselho universitário para deliberar sobre o adiamento do envio da proposta de participação da UFPE nesse programa para o próximo ano.
Com isso, ter-se-ia o tempo necessário para serem corrigidos pelo governo federal equívocos do programa; ter-se-ia o tempo necessário para aprofundar as discussões, no âmbito da UFPE; ter-se-ia o tempo necessário para melhor escolher quais novos cursos devem ser implementados e aqueles que carecem de expansão e/ou de atualização curricular; e ter-se-ia o tempo necessário para identificar com mais detalhes as demandas para recuperar/ampliar instalações e para adquirir/consertar equipamentos.
Tenho a convicção de que a mesma maioria da comunidade universitária que assegurou um segundo mandato ao Prof. Amaro Lins verá em seu gesto sensato a grandeza da prudência, própria de um dirigente à altura dos desafios postos à universidade brasileira.
Prof. Sérgio Alves – Diretor do CCSA, em 29/10/07.

Extraído do site: http://acertodecontas.blog.br/atualidades/diretor-do-ccsa-da-ufpe-pede-a-reitor-que-convoque-conselho-para-adiar-envio-de-proposta-do-reuni/


Movimento Ocupa UFPE: Ocupar, Resistir, Transmitir - FM 88,1MHz

Apoio dos associados da APAP

Mais um apoio recebido hoje. Obrigados pela força, companheiros!

"Caros (as) Companheiros (as),

Recebam, em nome de todos os associados da APAP, o apoio e a solidariedade pela ocupação da Reitoria da UFPE, medida esta extrema tomada pela falta de diálogo com a cúpula administrativa. Essa é uma luta de resistência frente ao processo de desestruturação da universidade pública, através do projeto REUNI e outros mais que virão, nos quais estarão comprometidos o ensino, a pesquisa e a extensão, sem a contratação de pessoal e com o congelamento de recursos financeiros. Enfim, uma popularização atraleda a precarização do ensino superior, em todos os níveis.
Uma ignomínia à dgnidade do povo brasileiro!
Que todos permanençam unidos e decididos a manter a luta, apesar de todas as
adversidades existentes, nesse momento crucial da história das unversidades públicas federais.
Por uma universidade pública gratuita, democrática, laica e de qualidade!
Pela união de estudantes, funcionários e professores!

Saudações,
Antônio De Campos"

*Associação Pernambucana de Anistiados Políticos

Enviado via e-mail.

Movimento Ocupa UFPE: Ocupar, Resistir, Transmitir - FM 88,1MHz